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O que é VBA e para que serve na engenharia?

Engenheiro Civil Abner Duarte Publicado em 10 de agosto de 2026

VBA é o Visual Basic for Applications, linguagem embutida nos programas do Office que a Microsoft define como forma de estender esses aplicativos. Na engenharia serve para automatizar planilha de cálculo repetitiva, criar funções que o Excel não tem e rodar rotinas no AutoCAD. Ele continua suportado — o que está sendo aposentado é o VBScript, que é outra coisa.

Essa última frase resolve a confusão mais comum sobre o assunto hoje, e vale separar as duas coisas desde já: VBA e VBScript são tecnologias diferentes. O VBScript está sendo desativado no Windows em fases; o VBA segue plenamente suportado pela Microsoft. Confundir os dois tem levado gente a abandonar uma competência que continua válida.

O que é o VBA e para que serve?

É a linguagem de programação embutida nos aplicativos do Office. A documentação da Microsoft a descreve como “uma linguagem de programação simples, mas poderosa, que você pode usar para estender aplicativos do Office”, disponível em Word, Excel, PowerPoint e Outlook.

Uma macro é um conjunto de instruções em VBA que pode ser executado repetidamente. A frase que a própria Microsoft usa resume a proposta: se pode ser feito uma vez com VBA, pode ser feito com a mesma facilidade cem vezes.

A fabricante indica três situações em que o VBA compensa:

  1. Automação e repetição — tarefas refeitas dez, vinte vezes ou mais; formatação e correções repetitivas; alterações aplicadas a vários documentos ou tabelas.
  2. Extensão da interação com o usuário — quando você precisa que alguém interaja com o arquivo de um jeito específico, como disparar uma ação ao abrir, salvar ou imprimir.
  3. Interação entre aplicativos do Office — mover dados entre Excel, Word, PowerPoint e Outlook, ou alterar o conteúdo de um a partir do outro.

Quem usa VBA na engenharia, e para quê?

Quem tem uma tarefa de cálculo ou documentação que se repete com estrutura fixa. Na prática, quatro usos concentram quase tudo:

  • Memória de cálculo repetitiva. Verificação de perfil, dimensionamento de peça padronizada, checagem de série de elementos — o cálculo é o mesmo, mudam os dados de entrada.
  • Conferência e tratamento de dados de campo. Medição, apropriação de mão de obra e apontamento chegam em formato irregular; a macro padroniza antes da análise.
  • Funções personalizadas. Fórmulas que o Excel não tem nativamente e que são específicas da sua disciplina, criadas como função e usadas na célula como qualquer outra.
  • Rotinas no AutoCAD. Renomear camadas em lote, inserir blocos padronizados, extrair atributos para planilha.

O critério de decisão é quantitativo, não estético: se a tarefa acontece uma vez, fazer na mão é mais rápido. A partir de dez ou vinte repetições — o número que a própria Microsoft usa como referência —, o tempo investido em automatizar volta.

Vale o alerta que a documentação oficial faz e que quase nenhum tutorial repete: antes de programar, verifique se um recurso nativo já resolve. Estilos, atalhos, modelos e o próprio CTRL+Y de repetir a última ação resolvem uma parte grande do que as pessoas tentam automatizar. E programar exige foco e tempo, com resultado imprevisível — não é a saída para quem está com prazo apertado hoje.

Quais são os requisitos para usar VBA?

RequisitoSituação
Excel para Windows ou MacVBA roda nas versões desktop
Excel na webNão suporta macros VBA
Power AutomateNão executa VBA
Guia DesenvolvedorPrecisa ser habilitada, não vem visível por padrão
ArquivoPrecisa ser salvo em formato habilitado para macro
Segurança de macroPadrão desabilita macros com notificação
AutoCADVBA 7.1 é suportado, mas não vem na instalação padrão

Dois itens dessa tabela merecem explicação.

O primeiro é a segurança. Segundo a página oficial de configurações de macro, o Excel oferece cinco opções na Central de Confiabilidade, e o padrão é “desabilitar todos os macros com notificação” — você recebe o aviso e decide. Ativar todos os macros é classificado pela Microsoft como não recomendado, porque permite a execução de código potencialmente perigoso. A saída correta para arquivos próprios é o local confiável: documento salvo ali executa sem passar pela verificação.

O segundo é o AutoCAD, e essa é a pegadinha que trava mais gente. A Autodesk registra que o VBA 7.1 é suportado nos produtos da empresa, mas não faz mais parte da instalação padrão do AutoCAD e precisa ser baixado e instalado separadamente. Quem atualiza o AutoCAD e descobre que as macros pararam de funcionar quase sempre está diante disso, não de um erro no código.

Como criar uma macro em VBA passo a passo?

  1. Habilite a guia Desenvolvedor. Em Arquivo > Opções > Personalizar Faixa de Opções, marque a caixa Desenvolvedor e confirme em OK. Ela não aparece por padrão.
  2. Abra o Editor do Visual Basic. Na guia Desenvolvedor, clique em Visual Basic. É nele que o código é escrito e editado.
  3. Comece gravando, não escrevendo. Use Macros > Gravar Macro, execute a tarefa manualmente uma vez e pare a gravação. O Excel escreve o código correspondente.
  4. Leia o código gravado. Essa é a etapa que a maioria pula e é a que mais ensina: o gravador mostra qual objeto e qual propriedade correspondem a cada ação que você fez na tela.
  5. Limpe e generalize. Código gravado costuma vir cheio de seleção de célula e referência fixa. Substituir intervalo fixo por variável é o que transforma a gravação em macro reutilizável.
  6. Salve em formato habilitado para macro. Pasta de trabalho comum descarta o código ao salvar.
  7. Guarde o arquivo em local confiável se ele for de uso recorrente, para não depender de autorizar a execução toda vez.
  8. Teste com dado errado de propósito. Macro que só funciona com a planilha perfeita quebra no primeiro uso real.

Uma observação sobre ordem de aprendizado: automatizar planilha exige antes entender bem a planilha. Quem não domina referência, função de busca e tabela dinâmica tende a escrever macro para resolver problema que o Excel já resolve nativamente. O curso de Excel da Tesla Treinamentos cobre essa base do básico ao avançado.

Quais os erros mais comuns ao usar VBA?

  • Perder o código ao salvar. Salvar em formato sem suporte a macro descarta o VBA sem aviso claro.
  • Achar que a macro sumiu depois de atualizar o AutoCAD. Na maioria dos casos é o módulo VBA que não foi reinstalado.
  • Usar código gravado sem limpar. Gravação depende de seleção e de posição; basta o usuário clicar em outra célula para o resultado mudar.
  • Automatizar antes de padronizar. Macro sobre planilha desorganizada multiplica o erro em vez de eliminá-lo.
  • Habilitar todos os macros para resolver bloqueio. É a opção que a Microsoft desaconselha explicitamente; local confiável resolve sem abrir a máquina.
  • Escrever macro para tarefa de uma vez só. O retorno vem da repetição, e sem ela o investimento é negativo.
  • Deixar a planilha sem documentação. Macro sem comentário vira caixa-preta que ninguém mais na equipe consegue manter.

O VBA vai ser descontinuado?

Não. E aqui é onde a informação circulando erra o alvo.

A documentação da Microsoft que compara Office Scripts e VBA registra que o VBA continua suportado e recomendado para soluções centradas no desktop, enquanto o Office Scripts é a indicação para automação multiplataforma e integrada à nuvem. São posicionamentos distintos, não substituição.

A comparação oficial ajuda a entender o que cada um dá e o que tira:

AspectoVBAOffice Scripts
Excel na webNãoSim
Power AutomateNãoSim
EventosSuportadosNão suportados
Cobertura de recursos do ExcelMais completa no desktopCerca de 90%
Escopo de acessoAcesso total ao desktopRestrito à pasta de trabalho
LicençaNenhuma, embutido no Excel desktopExige licença corporativa ou educacional

O que de fato está sendo aposentado é o VBScript, componente do Windows. Segundo o blog de desenvolvimento da Microsoft 365, o VBA continua funcionando; o que muda é o uso de dois recursos: execução de arquivos .vbs externos a partir do VBA e referência a bibliotecas do VBScript, como o VBScript.RegExp usado para expressões regulares.

O cronograma tem três fases: o VBScript permanece habilitado por padrão até por volta de 2026 e 2027; em seguida passa a vir desabilitado por padrão; e a remoção completa do Windows ainda não tem data. A Microsoft já resolveu o caso mais comum — a partir da versão 2508 do Office, classes de expressão regular passaram a existir dentro do próprio VBA, dispensando a dependência externa.

Quando usar VBA e quando usar outra ferramenta?

  • Use VBA quando a tarefa é repetitiva, vive dentro do Excel ou do AutoCAD no desktop e precisa reagir a eventos, como abrir ou salvar um arquivo. É a opção sem custo adicional e sem dependência de licença extra.
  • Use Office Scripts quando a automação precisa rodar no Excel na web ou entrar em um fluxo do Power Automate — territórios em que o VBA simplesmente não opera.
  • Use recurso nativo quando ele existir. Tabela dinâmica, Power Query e fórmula resolvem boa parte do que se tenta automatizar, com manutenção muito menor.
  • Use Python quando o problema deixa de ser automatizar planilha e passa a ser tratar volume de dados, integrar fontes diferentes ou aplicar cálculo mais pesado. É também a competência que se transfere para fora do Office.

Na prática, a sequência que rende mais em engenharia é conhecida: dominar o Excel a fundo, automatizar com VBA o que se repete, e migrar para Python quando o volume ou a integração pedirem. O curso de Python da Tesla Treinamentos tem 60 horas e é o passo seguinte para quem chegou ao limite da planilha.


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Fontes

  1. Getting started with VBA in Office (página consultada em 10 de agosto de 2026)Microsoft · 10/08/2026
  2. Differences between Office Scripts and VBA macros (página consultada em 10 de agosto de 2026)Microsoft · 10/08/2026
  3. Prepare your VBA projects for VBScript deprecation in WindowsMicrosoft 365 Developer Blog · 10/08/2026
  4. Change macro security settings in Excel (página consultada em 10 de agosto de 2026)Microsoft · 10/08/2026
  5. VBA support for AutoCAD (página consultada em 10 de agosto de 2026)Autodesk · 10/08/2026

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