Como exportar em DXF no AutoCAD?
Use o comando SALVARCOMO e escolha um dos formatos DXF na lista de tipos de arquivo. Nas opções é possível definir a precisão de ponto flutuante em até 16 casas decimais, escolher entre ASCII e binário, e exportar o desenho inteiro ou apenas os objetos selecionados.
O último item dessa lista é o que mais economiza discussão com quem vai receber o arquivo. Exportar só os objetos selecionados entrega o contorno da peça, e não a prancha inteira com carimbo, cotas e notas — que é justamente o que a máquina de corte não sabe o que fazer com.
Para que serve o DXF, e por que não mandar o DWG?
Porque o DXF é o formato criado para atravessar a fronteira entre programas diferentes.
A documentação da Autodesk define o formato de maneira direta: um arquivo DXF, de drawing interchange format, é uma representação binária ou ASCII de um arquivo de desenho, e sua função é facilitar o compartilhamento de dados de desenho entre diferentes programas CAD.
O DWG é o formato nativo do AutoCAD. Ele guarda mais coisas e guarda melhor — mas depende de quem abre ter um software que o leia com fidelidade. O DXF abre mão de parte disso em troca de ser lido por praticamente qualquer sistema, incluindo os que controlam máquinas.
A mesma página menciona um parente próximo que vale conhecer: o DXB, descrito como uma versão binária especialmente codificada de um arquivo DXF, usada para plotagem e para converter desenhos wireframe 3D em vetores 2D.
O que você precisa definir antes de exportar
- Quem vai receber e com o quê vai abrir. É essa resposta que define versão, formato e nível de limpeza do arquivo.
- Se vai o desenho inteiro ou só a geometria de interesse. Para corte e usinagem, quase sempre é a segunda opção.
- Se o desenho está em escala real. Máquina lê coordenada, não escala de prancha — geometria desenhada fora de 1:1 sai com a dimensão errada.
- Se sobrou geometria escondida. Linha duplicada, sobra de construção e bloco fora de camada visível vão junto e viram problema do outro lado.
Passo a passo: como exportar em DXF no AutoCAD
A Autodesk registra que a exportação para DXF é feita pelo comando de salvar como, escolhendo esse formato durante o salvamento — e a importação, pelo comando de abrir.
- Limpe o desenho antes de exportar: apague geometria auxiliar, remova sobras e verifique se não há linhas duplicadas.
- Confirme que a geometria está em escala real, no espaço do modelo.
- Execute o comando SALVARCOMO.
- Na caixa de tipo de arquivo, escolha o formato DXF na versão que o destinatário pediu.
- Abra as Opções e defina a precisão de ponto flutuante, que pode ir até 16 casas decimais.
- Escolha entre ASCII e binário, conforme a seção seguinte.
- Marque a exportação de objetos selecionados, se quiser mandar só uma parte do desenho.
- Dê um nome ao arquivo e salve.
- Abra o DXF gerado em outro programa ou visualizador antes de enviar.
O passo 9 é o mais pulado e o único que confirma que deu certo. O arquivo que abre bem no AutoCAD não prova nada — o DXF existe justamente para ser lido por outro software, e é lá que ele precisa funcionar.
Vale um aviso que vem da própria Autodesk, na página do comando de salvar como: salvar um desenho em qualquer formato DXF afeta o desempenho. Ou seja, DXF é formato de entrega, não de trabalho — o arquivo em que você continua desenhando deve seguir sendo o DWG.
ASCII ou binário: qual escolher?
Depende de quem vai ler o arquivo e do tamanho do desenho. A Autodesk descreve os dois assim:
| Formato | O que a documentação diz | Quando faz sentido |
|---|---|---|
| ASCII | ”Resulta em um arquivo de texto que você possa ler ou editar” | Quando o destinatário precisa inspecionar ou tratar o conteúdo, e para máxima compatibilidade |
| Binário | ”Resulta em um arquivo significativamente menor mais rápido para trabalhar” | Desenho grande, quando o tamanho ou a velocidade pesam |
Na prática, ASCII é a escolha segura por padrão. Ele é maior e mais lento, mas é o que qualquer sistema abre — e como o DXF existe para interoperar, compatibilidade vale mais que tamanho de arquivo na maior parte dos casos.
O binário se justifica quando o desenho é pesado e o destinatário confirmou que o lê. Se ninguém confirmou nada, ASCII.
Sobre a precisão de ponto flutuante: as 16 casas decimais disponíveis são o teto, não a recomendação. Precisão excessiva aumenta o arquivo sem melhorar a peça, já que nenhuma máquina de corte trabalha nessa resolução. Vale alinhar o valor com quem vai usinar.
Esse tipo de conversa entre desenho e fabricação é o cotidiano de quem trabalha com peça e conjunto. A Tesla Treinamentos tem um curso de AutoCAD para Mecânica de 60 horas, voltado ao desenho técnico aplicado à engenharia mecânica.
Como exportar só uma parte do desenho?
Pela opção de exportar objetos selecionados, que a documentação registra como alternativa ao desenho completo.
É o recurso que resolve o caso mais comum de envio para fabricação. A prancha tem carimbo, margem, cotas, notas, tabela de revisão e vistas auxiliares; a máquina precisa apenas dos contornos fechados que serão cortados.
Um roteiro que funciona bem:
- Isole a geometria que será cortada, em uma camada própria.
- Verifique se os contornos estão fechados, porque contorno aberto costuma ser recusado pelo software da máquina.
- Execute o comando de salvar como, escolha DXF e marque a exportação de objetos selecionados.
- Selecione apenas os contornos, deixando cotas e textos de fora.
- Confira o resultado abrindo o arquivo gerado.
O passo 2 merece atenção porque é a causa número um de arquivo devolvido. Polilinha que parece fechada na tela pode ter um vão de centésimo de milímetro, invisível no zoom normal e suficiente para o software de corte não reconhecer a região.
Que versão de DXF usar?
A que o destinatário pedir — e essa resposta é mais séria do que parece.
A lista de tipos de arquivo do AutoCAD oferece o DXF em mais de uma versão, correspondentes a gerações diferentes do formato. Escolher uma versão antiga aumenta a chance de o arquivo abrir em sistemas antigos, que é exatamente o caso de muitas máquinas de corte, plasma e router em operação no Brasil.
A contrapartida está documentada. A Autodesk registra que, ao converter arquivos para um formato compatível com versões anteriores, as informações da versão atual são removidas dos objetos. Em geometria 2D simples, isso raramente importa; em desenho com recursos recentes, pode significar perda real.
A conduta prática, portanto, é uma pergunta antes de exportar: qual versão de DXF o seu sistema lê? Oficina de corte, prestador de usinagem e fabricante de esquadria costumam ter uma resposta pronta, porque já passaram por esse problema. Adivinhar a versão é o caminho mais rápido para o arquivo voltar.
Há ainda uma recomendação da documentação para quem envia arquivos ao exterior: ao compartilhar com versões antigas, evite caracteres de valores ASCII altos nos nomes de arquivo, para não causar problema com idiomas asiáticos.
Erros comuns e como resolver
| Sintoma | Causa provável | Solução |
|---|---|---|
| A oficina diz que não abre o arquivo | Versão de DXF mais nova que o sistema dela | Pergunte qual versão ela lê e reexporte nessa |
| A máquina não reconhece a região a cortar | Contorno aberto, com vão mínimo | Feche as polilinhas e verifique antes de exportar |
| Foi tudo junto: cotas, carimbo e notas | Exportação do desenho completo | Use a opção de exportar objetos selecionados |
| A peça saiu com a dimensão errada | Geometria desenhada fora da escala real | Desenhe em 1:1 no espaço do modelo |
| O arquivo ficou enorme | Formato ASCII com precisão alta em desenho grande | Reduza as casas decimais, ou use binário se o destinatário aceitar |
| O AutoCAD ficou lento depois de salvar em DXF | Comportamento documentado do formato | Continue trabalhando no DWG e use o DXF só para entrega |
| Perdi informações ao salvar em versão antiga | A conversão remove dados da versão atual dos objetos | Mantenha o DWG original intacto como arquivo-mestre |
Próximo passo depois de exportar
O DXF é o fim de uma etapa, não do trabalho.
- Guarde o DWG original como arquivo-mestre. O DXF é uma cópia para entrega, e revisão se faz no original.
- Nomeie o arquivo com a revisão, para que ninguém corte a partir de uma versão superada.
- Confirme o recebimento com quem vai fabricar, incluindo a versão de DXF usada.
- Registre a resposta sobre versão e preferências daquele fornecedor, para a próxima vez.
- Padronize a camada de corte no seu modelo de desenho, para que a seleção do passo seguinte seja imediata.
Vale registrar o que muda quando a peça é modelada em 3D: em um fluxo de modelagem paramétrica, a planificação e a geração do contorno de corte saem do próprio modelo, e o DXF passa a ser gerado a partir dele em vez de desenhado à parte. A Tesla Treinamentos ensina esse caminho no curso de Inventor, e mantém também um curso de AutoCAD de 60 horas para quem trabalha no 2D.
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Fontes
- Sobre a importação e a exportação de arquivos DXF — AutoCAD 2027 (página consultada em 26 de agosto de 2026)
- Comandos para importar e exportar arquivos DXF — AutoCAD 2027 (página consultada em 26 de agosto de 2026)
- SALVARCOMO (comando) — AutoCAD 2027 (página consultada em 26 de agosto de 2026)
- Sobre salvar desenhos — AutoCAD 2027 (página consultada em 26 de agosto de 2026)