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Como exportar em DXF no AutoCAD?

Engenheiro Civil Abner Duarte Publicado em 26 de agosto de 2026

Use o comando SALVARCOMO e escolha um dos formatos DXF na lista de tipos de arquivo. Nas opções é possível definir a precisão de ponto flutuante em até 16 casas decimais, escolher entre ASCII e binário, e exportar o desenho inteiro ou apenas os objetos selecionados.

O último item dessa lista é o que mais economiza discussão com quem vai receber o arquivo. Exportar só os objetos selecionados entrega o contorno da peça, e não a prancha inteira com carimbo, cotas e notas — que é justamente o que a máquina de corte não sabe o que fazer com.

Para que serve o DXF, e por que não mandar o DWG?

Porque o DXF é o formato criado para atravessar a fronteira entre programas diferentes.

A documentação da Autodesk define o formato de maneira direta: um arquivo DXF, de drawing interchange format, é uma representação binária ou ASCII de um arquivo de desenho, e sua função é facilitar o compartilhamento de dados de desenho entre diferentes programas CAD.

O DWG é o formato nativo do AutoCAD. Ele guarda mais coisas e guarda melhor — mas depende de quem abre ter um software que o leia com fidelidade. O DXF abre mão de parte disso em troca de ser lido por praticamente qualquer sistema, incluindo os que controlam máquinas.

A mesma página menciona um parente próximo que vale conhecer: o DXB, descrito como uma versão binária especialmente codificada de um arquivo DXF, usada para plotagem e para converter desenhos wireframe 3D em vetores 2D.

O que você precisa definir antes de exportar

  • Quem vai receber e com o quê vai abrir. É essa resposta que define versão, formato e nível de limpeza do arquivo.
  • Se vai o desenho inteiro ou só a geometria de interesse. Para corte e usinagem, quase sempre é a segunda opção.
  • Se o desenho está em escala real. Máquina lê coordenada, não escala de prancha — geometria desenhada fora de 1:1 sai com a dimensão errada.
  • Se sobrou geometria escondida. Linha duplicada, sobra de construção e bloco fora de camada visível vão junto e viram problema do outro lado.

Passo a passo: como exportar em DXF no AutoCAD

A Autodesk registra que a exportação para DXF é feita pelo comando de salvar como, escolhendo esse formato durante o salvamento — e a importação, pelo comando de abrir.

  1. Limpe o desenho antes de exportar: apague geometria auxiliar, remova sobras e verifique se não há linhas duplicadas.
  2. Confirme que a geometria está em escala real, no espaço do modelo.
  3. Execute o comando SALVARCOMO.
  4. Na caixa de tipo de arquivo, escolha o formato DXF na versão que o destinatário pediu.
  5. Abra as Opções e defina a precisão de ponto flutuante, que pode ir até 16 casas decimais.
  6. Escolha entre ASCII e binário, conforme a seção seguinte.
  7. Marque a exportação de objetos selecionados, se quiser mandar só uma parte do desenho.
  8. Dê um nome ao arquivo e salve.
  9. Abra o DXF gerado em outro programa ou visualizador antes de enviar.

O passo 9 é o mais pulado e o único que confirma que deu certo. O arquivo que abre bem no AutoCAD não prova nada — o DXF existe justamente para ser lido por outro software, e é lá que ele precisa funcionar.

Vale um aviso que vem da própria Autodesk, na página do comando de salvar como: salvar um desenho em qualquer formato DXF afeta o desempenho. Ou seja, DXF é formato de entrega, não de trabalho — o arquivo em que você continua desenhando deve seguir sendo o DWG.

ASCII ou binário: qual escolher?

Depende de quem vai ler o arquivo e do tamanho do desenho. A Autodesk descreve os dois assim:

FormatoO que a documentação dizQuando faz sentido
ASCII”Resulta em um arquivo de texto que você possa ler ou editar”Quando o destinatário precisa inspecionar ou tratar o conteúdo, e para máxima compatibilidade
Binário”Resulta em um arquivo significativamente menor mais rápido para trabalhar”Desenho grande, quando o tamanho ou a velocidade pesam

Na prática, ASCII é a escolha segura por padrão. Ele é maior e mais lento, mas é o que qualquer sistema abre — e como o DXF existe para interoperar, compatibilidade vale mais que tamanho de arquivo na maior parte dos casos.

O binário se justifica quando o desenho é pesado e o destinatário confirmou que o lê. Se ninguém confirmou nada, ASCII.

Sobre a precisão de ponto flutuante: as 16 casas decimais disponíveis são o teto, não a recomendação. Precisão excessiva aumenta o arquivo sem melhorar a peça, já que nenhuma máquina de corte trabalha nessa resolução. Vale alinhar o valor com quem vai usinar.

Esse tipo de conversa entre desenho e fabricação é o cotidiano de quem trabalha com peça e conjunto. A Tesla Treinamentos tem um curso de AutoCAD para Mecânica de 60 horas, voltado ao desenho técnico aplicado à engenharia mecânica.

Como exportar só uma parte do desenho?

Pela opção de exportar objetos selecionados, que a documentação registra como alternativa ao desenho completo.

É o recurso que resolve o caso mais comum de envio para fabricação. A prancha tem carimbo, margem, cotas, notas, tabela de revisão e vistas auxiliares; a máquina precisa apenas dos contornos fechados que serão cortados.

Um roteiro que funciona bem:

  1. Isole a geometria que será cortada, em uma camada própria.
  2. Verifique se os contornos estão fechados, porque contorno aberto costuma ser recusado pelo software da máquina.
  3. Execute o comando de salvar como, escolha DXF e marque a exportação de objetos selecionados.
  4. Selecione apenas os contornos, deixando cotas e textos de fora.
  5. Confira o resultado abrindo o arquivo gerado.

O passo 2 merece atenção porque é a causa número um de arquivo devolvido. Polilinha que parece fechada na tela pode ter um vão de centésimo de milímetro, invisível no zoom normal e suficiente para o software de corte não reconhecer a região.

Que versão de DXF usar?

A que o destinatário pedir — e essa resposta é mais séria do que parece.

A lista de tipos de arquivo do AutoCAD oferece o DXF em mais de uma versão, correspondentes a gerações diferentes do formato. Escolher uma versão antiga aumenta a chance de o arquivo abrir em sistemas antigos, que é exatamente o caso de muitas máquinas de corte, plasma e router em operação no Brasil.

A contrapartida está documentada. A Autodesk registra que, ao converter arquivos para um formato compatível com versões anteriores, as informações da versão atual são removidas dos objetos. Em geometria 2D simples, isso raramente importa; em desenho com recursos recentes, pode significar perda real.

A conduta prática, portanto, é uma pergunta antes de exportar: qual versão de DXF o seu sistema lê? Oficina de corte, prestador de usinagem e fabricante de esquadria costumam ter uma resposta pronta, porque já passaram por esse problema. Adivinhar a versão é o caminho mais rápido para o arquivo voltar.

Há ainda uma recomendação da documentação para quem envia arquivos ao exterior: ao compartilhar com versões antigas, evite caracteres de valores ASCII altos nos nomes de arquivo, para não causar problema com idiomas asiáticos.

Erros comuns e como resolver

SintomaCausa provávelSolução
A oficina diz que não abre o arquivoVersão de DXF mais nova que o sistema delaPergunte qual versão ela lê e reexporte nessa
A máquina não reconhece a região a cortarContorno aberto, com vão mínimoFeche as polilinhas e verifique antes de exportar
Foi tudo junto: cotas, carimbo e notasExportação do desenho completoUse a opção de exportar objetos selecionados
A peça saiu com a dimensão erradaGeometria desenhada fora da escala realDesenhe em 1:1 no espaço do modelo
O arquivo ficou enormeFormato ASCII com precisão alta em desenho grandeReduza as casas decimais, ou use binário se o destinatário aceitar
O AutoCAD ficou lento depois de salvar em DXFComportamento documentado do formatoContinue trabalhando no DWG e use o DXF só para entrega
Perdi informações ao salvar em versão antigaA conversão remove dados da versão atual dos objetosMantenha o DWG original intacto como arquivo-mestre

Próximo passo depois de exportar

O DXF é o fim de uma etapa, não do trabalho.

  1. Guarde o DWG original como arquivo-mestre. O DXF é uma cópia para entrega, e revisão se faz no original.
  2. Nomeie o arquivo com a revisão, para que ninguém corte a partir de uma versão superada.
  3. Confirme o recebimento com quem vai fabricar, incluindo a versão de DXF usada.
  4. Registre a resposta sobre versão e preferências daquele fornecedor, para a próxima vez.
  5. Padronize a camada de corte no seu modelo de desenho, para que a seleção do passo seguinte seja imediata.

Vale registrar o que muda quando a peça é modelada em 3D: em um fluxo de modelagem paramétrica, a planificação e a geração do contorno de corte saem do próprio modelo, e o DXF passa a ser gerado a partir dele em vez de desenhado à parte. A Tesla Treinamentos ensina esse caminho no curso de Inventor, e mantém também um curso de AutoCAD de 60 horas para quem trabalha no 2D.


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Fontes

  1. Sobre a importação e a exportação de arquivos DXF — AutoCAD 2027 (página consultada em 26 de agosto de 2026)Autodesk · 26/08/2026
  2. Comandos para importar e exportar arquivos DXF — AutoCAD 2027 (página consultada em 26 de agosto de 2026)Autodesk · 26/08/2026
  3. SALVARCOMO (comando) — AutoCAD 2027 (página consultada em 26 de agosto de 2026)Autodesk · 26/08/2026
  4. Sobre salvar desenhos — AutoCAD 2027 (página consultada em 26 de agosto de 2026)Autodesk · 26/08/2026

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